quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Minhas Insignificantes Observações

Olá, tudo bem?

Este post é apenas para conscientizar que o Museu da Literatura chegou ao fim. Por enquanto, servirá apenas para manter os textos que já foram publicados, mas em breve ele deverá ser desativado.

O motivo foi o lançamento de um novo blog, o Minhas Insignificantes Observações. Que nada mais é do que uma evolução deste, com textos mais complexos e aprofundados, e conteúdo mais voltado para educação.

Fica aqui o convite para acessá-lo. Quem sabe não nos vemos por lá! Abraços.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Resenha: Modotti - Uma Mulher do Século XX

Ficha técnica:
Título: Modotti - Uma Mulher do Século XX
Roteiro e Arte: Ángel de la Calle
Editora: Conrad
Data de publicação: Novembro de 2005
Preço: R$35,00

Uma obra biográfica que demorou 15 anos para ser produzida, e mesmo sendo de grande qualidade ninguém imaginava sua publicação em terras brasileiras, chegou a nós em 2005 pela Conrad Editora. Eis Modotti – Uma Mulher do Século XX, do espanhol Ángel de la Calle.

O livro conta a história de Tina Modotti, uma mulher nascida na Itália, que veio a se tornar atriz de Hollywood, fotógrafa e militante comunista, além de lutar na Guerra Civil Espanhola e atuar como espiã soviética em uma Berlim nazista. Uma mulher que o mundo esqueceu por vinte e cinco anos para, somente depois desse período, ser lembrada com livros sobre sua pessoa.

(Tiago Souza) Ángel de la Calle em visita
ao Brasil para lançar seu livro em 2006. 
A biografia segue os passos desta mulher sempre forte e convicta do que tinha que fazer, com seu autor sempre apoiado em livros sobre ela ou sobre pessoas que fizeram, de alguma forma, parte de sua vida. A obra, no ano em que foi lançada a primeira parte (aqui no Brasil a Conrad optou pelo lançamento das duas juntas), recebeu duas indicações para o Salón Internacional del Cómic de Barcelona: Melhor Obra e Melhor Roteiro.

O traço de Ángel é muito diferente do habitual nos quadrinhos ocidentais, até mesmo para os álbuns europeus, e se fosse para compará-lo a algum outro autor, este seria Art Spiegelman. Mas como traços são únicos, e não se deve compará-los, fica apenas a semelhança entre eles e menção ao artista de Maus.

Ángel utiliza-se do imaginário para mostrar não só Modotti, mas a época, onde artistas corriam atrás de seus direitos ao mesmo tempo em que publicavam grandes trabalhos. Entre os que cruzaram o caminho da protagonista estão: os artistas Diego Rivera e Frida Kahlo; os comunistas Olga Benário e Luís Carlos Prestes; o escritor James Joyce; e os poetas Maiakóvski e Pablo Neruda. Pessoas de carne e osso que souberam como mostrar sua arte e ajudaram, ou foram ajudados, por Tina Modotti. E o autor utiliza-se de várias dessas referências, às vezes em quadros e poemas feitos por eles ou apenas citando-os na história.

Agora, para descrever seu trabalho, faço minhas as palavras do autor do prólogo do livro, Paco Ignacio Taibo II, seu amigo pessoal e que aparece na história: “Este livro é a prova de que não se pode biografar sem amor” (Prólogo 2, página 130). E depois disso, nada mais precisa ser dito.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Dica: A Casa das Belas Adormecidas

(Estação Liberdade, 128 páginas)

Imbuída de um erotismo inusitado, esta obra, escrita em 1961, demonstra a maturidade estilística do autor, que se utiliza de sua virtuose descritiva para contar a história de Eguchi, um senhor de 67 anos que frequenta a “casa das belas adormecidas”, uma espécie de bordel onde moças encontram-se em sono profundo, sob efeito de narcóticos. Apesar da idade avançada, o protagonista parte em busca dos prazeres perdidos e se depara com moças virgens, que os visitantes podem tocar, mas são proibidos de corromper. Daí, derivam passagens antológicas de rememorações pessoais e fantasia.

Kawabata procura desvendar o enigmático universo do corpo feminino em um culto ao belo e ao inalcançável, investigando as dores da solidão a partir da sutileza de um erotismo expressivo, constantemente atravessado por passagens de fina ironia e perturbadora consciência da passagem do tempo, do vazio existencial que permeia as relações humanas.

É objeto de consenso na crítica literária mundial que Yasunari Kawabata descreveu com meticulosa concisão as profundezas da alma feminina e revelou o corpo da mulher em seu mais sutil esplendor. Dono de uma capacidade de observação única, nenhum detalhe, nenhuma verdade escapam de seu olhar incomum. Em A casa das belas adormecidas, Kawabata dedicou-se obsessivamente a esta marca de sua literatura. Imbuído do matsugo no me, que talvez pudéssemos traduzir por “o olhar derradeiro”, Kawabata nos dá a impressão de pintar em cores vivas as últimas imagens de quem vai partir deste mundo.

A sexualidade na idade madura aflora nua e crua num cenário composto para o deleite de quem não mais pode procurá-lo por conta própria. Contrapartida mais fantasiosa e ao mesmo tempo mais radical, apresenta um inegável parentesco com Diário de um velho louco, de Jun’ichiro Tanizaki, outro grande mestre da literatura japonesa moderna. Se este último trata da sensualidade a priori contida que acomete um idoso no cotidiano, Kawabata nos leva aqui em singela exploração sensorial do corpo feminino oferecido em estado de torpor controlado. Os meandros da sexualidade — assim como a inexistência dela — em situações limite, da repressão do desejo e do autocontrole exacerbado compõem um jogo perverso que assume todo seu significado quando o protagonista tem de lidar com a noção de virgindade em seu sentido mais amplo. Temos aqui um indício de até que ponto Kawabata, sempre fiel a si mesmo, foi deliberadamente aos alicerces das estruturas mentais. Yukio Mishima, que louvava Kawabata, escreveu de forma reveladora em seu prefácio à edição norte-americana desta obra: “E será que a impossibilidade de obtenção não coloca definitivamente o erotismo e a morte no mesmo nível? E se nós romancistas não estamos do lado da ‘vida’ (se estamos confinados a uma abstração de certo tipo de neutralidade perpétua), então ‘a radiação da vida’ somente pode aparecer onde morte e erotismo caminham juntos”.

(Sinopse cedida pela editora)

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Resenha: Zorro #1

Ficha técnica:
Título: Zorro
Roteiro: Don McGregor
Arte: Sidney Lima
Editora: Panini Comics
Data de publicação: Março de 2006
Preço: R$ 6,90

Zorro foge através da região de Fogos Quentes, Yellowstone, com uma jovem chamada Eulália Bandini, que é perseguida pelo capitão Enrique Monasterio e pelo Sargento Garcia. Os dois conseguem se esconder, mas ao ouvir tiros sendo disparados, nosso herói parte rapidamente para o local e, como uma raposa, parte para cima dos vilões que ameaçavam matar um topógrafo e sua esposa. Ele consegue espantar os criminosos, mas esses juram que retornarão para matar a todos.

A princípio, a história promete ser interessante, afinal ela segue, depois de um bom início, com várias cenas de perseguição e batalha. Mas o brilhantismo do autor Don McGrager para por aí. O que vemos a seguir são cenas clichês e algumas até mesmo inimagináveis, como, por exemplo, quando todo mundo, incluindo a señorita Bandini, uma ex-empregada de taverna, começa a esquiar na neve, que cai sobre uma montanha, como se fossem profissionais.

Ouso até dizer que é tolerável o fato da capa de Zorro ser a prova d’água, como é mostrado, uma vez que ele sempre acaba se encontrando com artes místicas em suas aventuras, mas o esqui foi um golpe difícil de engolir.

Para quem não conhece, Don McGregor já roteirizou diversos quadrinhos para a Marvel e escreve as aventuras da Raposa há mais de dez anos, quando assumiu a revista mensal e depois as tiras diárias do herói. Aqui no Brasil chegou a ser publicado Dracula versus Zorro, pela Editora Escala, e a mini-série Zorro em quatro edições, pela Metal Pesado, ambas de sua autoria e de excelente qualidade.

Vale apenas citar, como dica de leitura, a história Prólogo em uma paisagem hostil (Zorro 1, Metal Pesado).

Já os desenhos, a cargo do brasileiro Sidney Lima, somente servem para decair ainda mais o nível da revista. O estilo mangá, com caretas inquietantes aparecendo nos piores momentos, não combina de forma alguma com o personagem, ou mesmo com o roteiro de McGregor, que merecia alguém a altura de Tom Yeates e Mike Mayhew, artistas das publicações citadas acima.

O mesmo já não pode ser dito do capista, Daniel HDR, que, para quem acompanha seu trabalho, pôde verificar uma melhora incrível, brindando a todos com uma bela arte. Resta agora saber se os próximos números conseguirão salvar a minissérie ou se os saudosos leitores de El Zorro terão que esperar mais alguns anos por uma boa história do personagem.

(resenha publicada originalmente por mim no site Fanboy, em março de 2006)