quarta-feira, 29 de junho de 2011

Resenha: Sade

Ficha técnica:
Título: Sade
Roteiro e arte: Senno Knife
Editora: Conrad Editora
Data de publicação: 2006
Preço: R$ 13,90

Por diversas vezes, o amor não é tão facilmente encontrado. Às vezes, existe a necessidade de batalhar por aquela pessoa que se quer ou mesmo por algo que queira. Já, dor, sofrimento e tortura podem não ser sinônimos de amor, mas é o desenrolar da história que torna Sade que prova que isso pode não estar totalmente certo.

A obra adapta contos, não somente, mas principalmente, de Donatien Alphonse François de Sade, mais conhecido como Marquês de Sade. Polêmico autor, nascido em 1740, em Paris, que ficou mais de 27 anos preso em diversas cadeias, acusado de libertinagem. Nesse período escreveu várias histórias, sempre misturando sadomasoquismo ao sentimento de paixão em seus personagens.

O primeiro conto, A Noite do Baile de Máscaras, narra a história do jovem Franville, um ator que vive de interpretar personagens femininos no teatro do Marquês de Bullvon. Desejado por vários homens, que acham que ele seja verdadeiramente uma dama, ele se apaixona por uma bela mulher, espectadora de todas as suas peças. Mas o amor pode não ser retribuído pelo gosto dela por mulheres. O que vem a seguir é a corrida de um garoto pela paixão de sua vida, que pode leva-lo a aceitar um estranho desafio de seu sádico patrão.

Em Uma Trágica História, o rico Franval, após uma série de torturas sexuais que implica a sua esposa, leva embora sua filha para que ela seja criada da forma que ele considera correta. Quando retorna, para o espanto de sua mãe, a jovem se mostra disposta a fazer qualquer coisa por seu pai, a quem chama por irmão, até mesmo manter relações sexuais com ele. Uma série de reviravoltas, com direito a traição e assassinatos, levarão a um tardio arrependimento.

Justine traz duas irmãs que são expulsas do convento onde moravam após o sumiço de seu pai e a morte de sua mãe. A partir daí cada uma segue um caminho diferente. Enquanto Juliette se torna uma prostituta de luxo, conquistando o coração de um homem extremamente poderoso, para quem chega a cometer diversos crimes, a delicada Justine sofre o ‘pão que o diabo amassou’ durante sua vivência.

Essas três histórias adaptam contos do Marquês de Sade, mas, como dito acima, ele não é o único representado na obra.

Em A Casa das Atrocidades, originalmente escrita pelos Irmãos Grimm, famosos por suas histórias infantis, a jovem Sofia acaba envolvida com poderoso Conde Sylvain, que, apesar de ser aparentemente gentil, pode não ser tão saudável para ela.

Para fechar a coletânea segue a adaptação de A História de “O”, que foi escrita por Pauline Reage e já havia ganhado uma adaptação na Europa por Guido Crepax, revelando até onde pode chegar a paixão de uma pessoa por outra.

Knife soube muito bem lidar com os contos, com traços característicos de um shojo, mangá, estilo de história voltado à mulheres no Japão, e na medida em que a história se desenrola vemos que o amor pode surgir das piores situações, até mesmo na dor. Destaque para Uma Trágica História nessa questão.

Outro ponto que chama a atenção é a escolha do autor em adaptar uma história dos Irmãos Grimm. Há pesquisas que confirmam que o original das obras dos pesquisadores constava histórias extremamente violentas e sem o típico final feliz, ao qual estamos habituados atualmente. Embora isso não seja tão fácil de ser provado. De qualquer modo, foi selecionada uma boa história.

(resenha publicada originalmente por mim no site Fanboy, em abril de 2006)

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